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Amor às Kuartas

Aqui fala-se de amor às quartas-feiras

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Amor às Kuartas

07
Jun17

Seria amor?

Kalila

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No meio da noite quente e silenciosa uma lua minguante e brilhante acomodava no céu resquícios de alegria. Cá em baixo, na cadeira de plástico verde, alguém sentado a desfrutar do escuro e da calma morna. Um pensamento fugidio cruzava-lhe a mente qual estrela cadente: "Seria amor?".

Eram duas da manhã daquela noite cálida sem brisa nem vento. Tudo era sossego no pequeno jardim da casa, tudo menos o pensamento errante daquela cabeça na cadeira verde.

A casa não era moradia, apartamento ou anexo era uma pequena mas linda casa de aldeia que tinha sido reconstruida. Um gosto para os olhos de quem passava, um excelente refúgio para a Catarina.

Estava nas traseiras, com muros e paredes por todos os lados, um pessegueiro num canteiro e um limoeiro no outro. Vasos de cores vivas, plantas e flores várias completavam o cenário dos pensamentos dela. Adorava estar ali, até no Inverno, desde que não chovesse, costumava encontrar-se consigo própria entre o vaso dos craveiros e o das begónias.

Ele tinha acabado de sair, pela frente da casa, já tinha chave para poder trancar a porta e o pequeno portão atrás de si. O nome era Pedro, os olhos eram lindos, a ligação ainda recente, as dúvidas enormes. 

No que consistiria afinal o amor? Para além do arrebatamento dos encontros, da alegria e da comunhão nas saídas, da cumplicidade nos pensamentos e das falas mudas por telepatia deveria existir algo mais, pensava Catarina. Algo que não oferecesse dúvida alguma, algo que se sentisse de maneira clara e inequívoca, algo que não o deixasse ir embora... 

Só uma vez ficara até de manhã e porque adormecera. Falava no gato que estava sozinho, nas plantas que tinha de regar, na roupa no estendal, mil e uma coisas para ter que ir embora. Não ia para longe, vivia perto, mas ia embora.

Se era ela a estar na casa dele, depressa sentia que tinha que voltar para a sua. Qualquer coisa difícil de explicar encarregava-se de lhe fazer sentir que era visitante...

Ele era comedido nas escolhas, pensava e analisava tudo tacitamente, ela mais impulsiva mas também com algum medo de precipitações. Já fora infeliz com escolhas erradas. Confundir paixão e amor era o seu dilema.

Levantou-se. À luz do luar, o limoeiro imponente parecia querer dizer-lhe alguma coisa, as folhas do pessegueiro agitaram-se levemente com uma ligeira brisa que passou, a roseira anã envasada estendia-lhe uma rosa no ramo maior, um cravo branco ameaçava rebentar o cálice com a pujança da flor. O resto mal se via mas estava tudo ali para a confortar, até a porta da cozinha que a acolhia na casa pequena. Grande só o gosto que tinha em viver ali.

A campainha assustou-a e a chave na porta da frente ainda mais. Estremeceu. "Seria possível?!"

Quando a porta se abriu o céu estrelado imponente tornou-se majestoso com o que emoldurava. Uma breve justificação de ter tocado para não assustar, um olhar de mel, o gato no colo e uma mochila nas costas que foi empurrando a porta enquanto ela o abraçava. Sentiram-se as lágrimas enquanto um sussurro doce chegava ao ouvido dela: "Não consigo estar sem ti".

Afinal era amor... 

 

(imagem Pinterest)

 

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