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Amor às Kuartas

Aqui fala-se de amor às quartas-feiras

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Amor às Kuartas

05
Abr17

Numa tarde nublada

Kalila

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Eram quatro da tarde de um dia qualquer. Nada que se marcasse no calendário, era apenas um vulgar dia da semana, nem quente nem frio, sem chuva nem sol, só com um céu encoberto, talvez de sentimentos, e uma brisa doce como o mistério daquela tarde sem sol.

Pela montra da loja vazia de clientes Denise apreciava aquela atmosfera da rua. Calma e suave com algo de desconcertante no vagar das pessoas sem sombras.

Aquela zona da baixa fica sempre estranha quando não há sol, parecem flutuar mistérios e sonhos pelas esquinas dos prédios pombalinos. As gentes passam, os turistas deambulam ou procuram coisas, entram a pedir informações, fica tudo diferente mas ninguém comenta... a falta do sol.

Do nosso famoso sol! Que tanta beleza empresta à nossa linda capital!

Denise não gostava de estar sozinha na loja, o patrão tinha ido beber café e demorava-se. Mas nem havia clientes...! Aproveitou para mudar a música de fundo para algo de que gostava mais.

Ah, assim sim! Uma música atual para revigorar a alma e o espírito! Céu encoberto na rua mas jovialidade dentro da loja!

Denise trauteava baixinho sem saber a letra, era hum-hum-hum, ham-ham-ham sempre controlando a porta a ver se entrava alguém. Calou-se de repente quando entraram dois jovens com ar de estrangeiros, visivelmente animados com o som. 

Denise preparou o melhor sorriso e o melhor inglês. Reparou que um deles procurava a saída do som com os olhos. Apontou-a. Ele sugeriu por gestos que aumentasse o volume. Assim fez.

E ante o seu espanto, e o do patrão que entretanto entrava, o rapaz passou a mão nos cabelos louros, sorriu e riu e tornou a sorrir e cantou, encantado, acompanhando a gravação. 

Fez-se luz naquela loja com a voz do próprio artista ao vivo! "Como era possível não o ter reconhecido?!" - pensava Denise, entre atrapalhada e estupefacta. O patrão sorria um sorriso meio parvo, o acompanhante acompanhava um tanto desafinado...

Naquela loja vendiam-se prendas e peças decorativas, o artista escolheu e pagou duas das mais caras. Ofereceu uma a Denise e outra ao patrão, tornou a sorrir e a rir e a sorrir de novo, apertou as mãos dos dois, abraçou cada um, dirigiu-se para a porta, despediu-se em mau português, hesitou... voltou... e disse várias coisas na sua própria língua, a mais gentil foi que tinha acabado de conhecer Lisboa só naquela loja. Tornou a dar abraços, tornou a sorrir e saiu para a tarde nublada de nuvens e plena de sentimentos.

(imagem mapio.net)

 

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