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Amor às Kuartas

Aqui fala-se de amor às quartas-feiras

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Amor às Kuartas

22
Mar17

Ilusão e fantasia

Kalila

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O dedo médio da mão direita e o apontador da esquerda tamborilavam nas margens do teclado um ritmo qualquer no meio da concentração algo distraída do protagonista. Jovem, talvez, inteligente, sem dúvida, pouco inspirado naquele momento mas quase sempre sagaz.

O monitor exigia uma atenção que não lhe conseguia dar. Havia um aviso, uma piscadela algures, algo estava a ser instalado mas o tamborilar passou das margens do teclado para a ponta da mesa, usando mais dedos, fazendo mais barulho, esquecendo instalações, avisos e piscadelas. Não queria o monitor a falar consigo, queria inspiração para falar com ela!

Ela estava algures, olhando o monitor, instalando devagar alguma secreta esperança. Meio a brincar dissera muito, a sério diria talvez menos, na vida real por certo diria coisa nenhuma.

Sim, porque tudo o que passe por softwares deixa de ser real, porquanto não seja a família emigrada via skype. Talvez um mail consiga reunir suficiente autenticidade, quando devidamente identificado, talvez outras formas de comunicação online sejam fidedignas da verdade pura, objetiva e convicta mas não era o caso. Não vamos especificar para deixar em aberto todas e quaisquer hipóteses e dúvidas. Poderia ser chat,  forum, site, blog, rede social, muito ou tudo se pode imaginar. Saibamos apenas que uma "não devidamente identificada" escreveu: "pareces uma pessoa muito interessante, sob todos os aspetos" e ele acabou por responder:"sinto o mesmo em relação a ti".

Ambos sonharam com alguém lindo, polido, disponível e espantosamente amoroso do outro lado. Mais umas frases de parte a parte e a conversa em privado seria muito mais lógica. Seguiram a corrente, trocaram fotos e intimidades, em poucos dias não havia ninguém mais perfeito no mundo do que cada uma daquelas duas pessoas, unidas online, separadas no mapa, nem um pouco sinceras e só perfeitas na forma de escrever.

A hora da verdade demorou alguns meses, o encontro em campo neutro de metade da distância nem as vozes reconheceu que o telefone distorcera. Ou seria o exagero de querer parecer tão perfeito que os fez adocicar até a saída do som?

Não há fim neste romance porque nem houve princípio, apenas encenação, ilusão e fantasia; e do sonho se fez fiasco porque só se conhece de facto quem passa fisicamente nos trilhos da nossa vida. 

(imagem Pixabay)

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