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Amor às Kuartas

Aqui fala-se de amor às quartas-feiras

Aqui fala-se de amor às quartas-feiras

Amor às Kuartas

19
Jul17

Um amor diferente...

Kalila

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer; 

Luís de Camões

 

Este amor de hoje é diferente.

Porque este fogo vê-se, por todo o lado.

É amor a esta terra e a este país!

Em cinzas, todos os Verões!

Não amo sozinha, todos nós amamos, esta terra queimada!

Seremos todos tolinhos ou todos somos traídos nesta nossa paixão?

Diz-se que quem ama não raciocina, presumo que seja o que nos está a acontecer.

Acusa-se tudo e todos: comunicações que falham, organizações deficientes, efetivos insuficientes, ministros incompetentes ou demasiado sensíveis, altas individualidades com coração na boca ou de manteiga, estamos contra tudo o que aparece nas notícias, somos do contra, seremos sempre, porque assim compete a quem não está feliz.

Seremos insatisfeitos? Não, somos é traídos todos os Verões!

Por mais que digam que se faz assim e devia ser assado, que aconteceu frito e devia ser cozido, por mais que nos cantem o fado dos desgraçadinhos, o da tragédia, o da natureza implacável e mais o da desgraça alheia para que a adotemos como nossa, a verdade é que o que nos dói é o cotovelo da amargura da traição!

Quem nos trai?

Quem queima tudo?

A quem interessa que tudo arda? 

Diz-se que o traído é sempre o último a saber...

Ou não conseguirá abrir os olhos?

Enquanto nos fazem zangar com a comunicação social, com o SIRESP, com o governo, com a oposição e com tudo o que houver... A traição continua... As chamas progridem... Arde aqui... Arde ali... Arde tudo!

NENHUM FOGO COMEÇA SOZINHO, MEUS AMIGOS!!! 

Nada entra em auto-combustão para nos arreliar ou espalhar a desgraça!

Os eucaliptos são uns meninos muito maus mas não faz parte da traquinice deles auto-flamejarem-se!

Há pessoas muito estúpidas que atiram beatas para a beira da estrada? Há sim senhor! E por ventura alguma beata consegue fazer fogos daquele tamanho?

As matas estão por limpar, o território por ordenar e mais um monte de coisas mas, meus amigos, alguém faz o fogo! Em vários sítios ao mesmo tempo e por todo o lado! Quantos mais fogos mais confusão e menos competência para os debelar!

Como é que se chegou a um ponto em que é normal que haja fogo e é preciso é combatê-lo? 

O FOGO NÃO É NORMAL! A não ser que arda algo sempre que alguém diz "fogo!" para não dizer palavrão!

O nosso amor ao nosso país e a nós próprios exige-nos muito mais que simples revolta! Declaremos mas é guerra a quem não zela pela segurança do que pertence ao nosso coração! 

Que se ponham investigadores em campo, vigilância sob todo e qualquer meio, a bem da terra e de todos nós!

Este nosso amor é grandioso, sejamo-lo também com ele! Em vez de picuinhas e mesquinhos sejamos implacáveis a exigir zelo e punições exemplares! Que investiguem,  vigiem e salvaguardem! Porque nós já não podemos aceitar mais traições! 

Este nosso amor já há muito tempo que deixou de ser incondicional! As condições são que preservem o que tanto amamos!

(imagem Pixabay)

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12
Jul17

Reticências

Kalila

 

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Da janela do café Maria vê as traseiras da sua empresa. Vê estacionar o Sr. Gonçalves, o chefe do armazém. Pela porta do pendura sai a eterna companhia de almoço do Sr. Gonçalves, a linda Sofia, uma mestiça de olhos verdes que cuida da limpeza das instalações.

O que levará um senhor casado de meia idade a manter uma relação daquele tipo quando hoje em dia é tão mais natural separar-se quando não se é feliz?

O Sr. Gonçalves lá saberá as próprias razões! Ou não...!

Na mesa do lado uma complicada conversa de circunstância acerca de mudanças climáticas denota algum nervosismo do interveniente mais tímido. O outro, também masculino, é conhecido pela sua orientação homossexual. Maria conhece-o do elevador, são vizinhos de edifício, é um homem lindo e vistoso, extremamente simpático e delicado.

Demasiado perfeito, pensará quem o julgue apenas como homem. Uma pena que seja gay, para as que babam por ele...!

Atrás do balcão do café cozinham-se pratos simples: omeletes com diversos acompanhamentos, bifes no prato e no pão, fritam-se batatas e febras, grelham-se salsichas toscanas e há taças enormes de saladas. O barulho do enorme exaustor abafa as risadinhas do elemento mais jovem, a Joaninha, como todos lhe chamam, uma recém-licenciada que ainda só arranjou trabalho como ajudante de cozinha. O patrão e cozinheiro-mor derrete a margarina e a ele próprio com aquela companhia da idade da sua filha. Não se contém em humor, algumas indiretas e bajulação sem medida.

Joaninha ri-se, pelo menos tem trabalho.

Maria passeia os olhos pelo que a rodeia. Há hormonas aos pulos até na colega que tem na frente, sempre atenta à porta. Deve estar a ansiar a entrada da princesa da loja da frente. É hábito conversar até aquela hora em que a outra costuma vir beber café, nessa altura desliga do mundo e cola os olhos e o pensamento na porta.

Chama-se Rosa, a colega da Maria, e tem este dom de andar sempre apaixonada. Não só por mulheres, é tão grande o amor que tem para dar que não distingue sexo.

Ah, mas a pobre da Rosa não atrai muita gente de nenhum dos sexos! Tem um ar indefinido de género e os quilos a mais também não ajudam nada!

Linda é a Maria, mas sozinha. Tem-se deixado estar, com sonhos ternos de futuro, doçura no rosto e, quase sem querer, uma espécie de jeito especial de derreter só com um olhar. 

Pedro conhece aquele olhar mas é a primeira vez que o sente no seu quando pergunta se se pode sentar na mesa das colegas...

Maria estremece... Tem muito apreço pela amizade daquele colega... Alguns sonhos inconfessáveis mas também extremo respeito pelos vínculos laborais... O olhar saiu tão desprevenido como desprevenida a apanhou o acaso... Nunca o vira ali... Não o viu entrar... A atrapalhação dos dois era notória... Para todos menos para a Rosa a quem só interessava a porta.

Há embargo no ar... Em boa hora o empregado se dirige ao Pedro.

Que pede um café curto.

Mas é longo o segundo em que Maria e Pedro se tornam a olhar... 

Tantos trabalhos em conjunto, tanto conhecimento laboral que têm um do outro, tanta assertividade e delicadeza desde sempre e... o que é que se passava? Uma enorme dor de cabeça!

Maria é simplesmente a chefe dele, ele o seu subordinado mais promissor! Sempre se sentiram próximos e amigos mas...

Pedro estima aquela amizade como poucas. Mas nunca deixou de sonhar vagamente com o que lhe parecia impossível. 

Mal recebe o café aventura-se a resolver ir em frente. Mas são muitas as reticências...

E o trabalho? E o vínculo respeitoso que sempre se esforçou por manifestar? E a empresa? E os objetivos da temporada? E a próxima campanha que estão a desenvolver juntos? E os quadros superiores? E os outros colegas? E a amizade? E...? E...? E...?

Tantas incógnitas pode a vida conter e tantas vidas condicionadas por elas! O que hoje é problemático pode no futuro ser banal ou perfeitamente aceitável. Por outro lado, afigura-se correto, legal ou inócuo o que dantes não foi. Mudam-se os tempos e as incógnitas... Algumas valem a pena!...  

(imagem Pinterest)

 

 

 

 

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05
Jul17

A lagartixa e o monte de folhas secas

Kalila

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Nadine caminha distraída pela pequena rua do jardim público.

Não há vento nem calor em demasia, apenas uma calma controlada pelo som longínquo do trânsito.

Está por ali sozinha consigo própria e os pensamentos. 

No meio da folhagem uma lagartixa imerge de mansinho mas fica parada no estaladiço das folhas secas.

Nadine esboça um sorriso ao contemplá-la. O normal seria a lagartixa fugir rapidamente mas talvez que as folhas barulhentas a retivessem, meio escondida, meio descoberta. 

A natureza tem coisas engraçadas! A timidez da lagartixa ou a tentativa de passar despercebida deixaram-na num impasse barulhento...

Quantas vezes Nadine se sentia assim?! Escondia do mundo a sua realidade, de si própria os motivos de ser assim...

Passava por se sentir talvez um pouco aérea, dona de uma certa leviandade e talvez alguma falta de recato... talvez fosse namoradeira, como a avó dizia, mas namorava o amor e não pessoa a quem tê-lo. 

Não sentia dúvidas de conduta porque, afinal, não traía ninguém, talvez somente a sua honestidade.

Mas... o que havia de desonesto em procurar a companhia perfeita? Não se prendia a ninguém porque nenhum era o certo, com certeza.

Ah, mas nenhum se sentia apenas seu amigo porque ela não deixava! Ficavam suspensos, mais ou menos ansiosos, e, enquanto isso, o desejo, a perspetiva ou o mistério encarregavam-se de os derreter e deliciar pela expectativa!

Se algum lhe tinha amor ou paixão? Nem pensava muito nisso, a doçura de se sentir desejada bastava-lhe. Deixava-se arrebatar pelo próprio poder, para o qual não precisava de despender qualquer esforço.

Nem sequer era linda, tinha um olhar misterioso e estudado, boa figura mas um rosto quase banal.

Um restolhado imenso fê-la sorrir de novo com a fuga da lagartixa. Libertara-se das folhas e escapulia-se em grande velocidade.

Nadine aproximou-se das folhas, tocou-lhes com o pé, sentiu-as estalar, mexer, trepidar e escorregar com a secura. O vento juntara-as ali e o sol e o verão puseram-nas a cantar. Uma raiva estranha invadiu Nadine. Quis remover com os pés todas as folhas secas mas algumas fugiam-lhe. Não era Outono ainda. Aquelas folhas tinham caído cedo. Tal como a sua ingenuidade ainda em criança...

Levantou-se um vento que devolveu as folhas ao seu lugar anterior. Os pés de Nadine descansavam agora debaixo do banco. As lembranças fizeram-na sentar e esquecer o resto do mundo...

Seria isso que a fazia sentir-se diferente? Ter sido abusada em criança?

Que sinistro pensamento lhe trouxeram as folhas e a lagartixa! Não, sempre se achara forte, dissera mil vezes a si própria que aquilo não era importante, que não passou de um disparate sem consequências! Nunca disse a ninguém, não podia. Só tinha 13 anos mas alguma noção de que se tinha insinuado... Ele era crescido mas jovem, com uns 20 anos... O que o terá levado a reparar numa miudinha?

Ela própria! Sabia e sentia que sim, mas também se lembrava de ter dito que não quando perdeu o controle do que se passava...

Teria isso influência em não conseguir fixar-se? Ou todas as mulheres são mais ou menos assim em alguma altura da vida?

O telemóvel tocou, no quase silêncio daquele jardim.

Gostou do nome que viu no ecran, sorriu, atendeu e lá começou o habitual jogo de sedução. Disse um monte de mentiras, provocou perguntas, insinuou respostas que acabavam noutro tom...

Afinal, sentia-se feliz naquele jogo, com este, com outro, com todos. Fazer o quê? Devia ser mesmo assim...!

Mas a mentira acerca de onde estava trouxe-a de rastos e rapidamente até à realidade. Porque no seu ombro pousou a mão de quem estava no seu ouvido.

Naquele choque refletiram-se as mentiras todas que dizia frequentemente. Num misto de vergonha, raiva consigo própria e um pedido de desculpas sem grande jeito ouviu-o dizer:

- É uma pena que sejas assim porque eu gosto de ti a sério!

Rolaram lágrimas de medo de si própria. Sentia amargura na boca num sabor estranho de desilusão sem remédio. Não conseguia encará-lo mas de olhos no chão ainda disse:

- Eu também acho que gosto de ti mas...

Não saiu mais nada. Queria fugir! Não queria estar ali!

E não queria o abraço que lhe era dirigido. Não o merecia. O beijo também não. Mas veio na mesma.

E naquele recanto do jardim público ele teve esperança e ela candura, sem dúvida pela primeira vez. 

(imagem Pixabay)

 

 

 

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28
Jun17

Enamoramentos

Kalila

«O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar, 
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...»

Fernando Pessoa

 

Fala de amor este poema...

Fernando Pessoa é ímpar nesta abordagem!

Mas este amor contido, envergonhado e sem jeito lembra-me a história da menina feia, que todos possuíam, todos abandonavam e com quem ninguém queria casar. Porque a menina feia chamava-se Culpa...

Quem a possuía não tinha vergonha dela precisamente por ser tão feia! Mas tinha vergonha do mundo precisamente pelo mesmo motivo!

Ao cair em si, cada um dos seus amantes poderia falar assim, não por vergonha de a amar, por medo de a possuir. 

Poderá até o mundo ser implacável e ter ou não carradas de razão mas urge encará-lo de frente sem rubores enamorados! Porque esta menina feia, de nome também tão feio, pode até não querer casar e sim que se lhe declarem.

Dizem que é cedo, será? Dizem que há tempo, talvez.

Mas não falem assim connosco porque não lhes reconhecemos dotes poéticos e nem suportamos que os procurem ter!

Tudo terá o seu tempo, para já não temos pressa, só urgência na reposição da nossa própria inteligência.

E agora, queridos leitores, tornem a ler o poema do nosso grande Pessoa e digam-me se os nossos queridos políticos e os nossos queridos altos responsáveis de tudo o que são organismos do Estado não andam a falar assim connosco!... 

A menina feia pode até morrer solteira, poderá nem existir mas nenhum de nós está interessado nas paixões que fogem dela.

21
Jun17

All we need is love!

Kalila

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Este é um blog sobre o amor. Hoje venho falar da falta dele. De nenhuma forma em específico. Dele... na generalidade.

Estivemos de luto, seja lá isso o que for em termos nacionais. Assistimos a tragédias, dramas, perdas de vidas, de bens, de paisagens e ao horror. Sofremos como se fosse connosco, chorámos, tivemos insónias solidárias e apoquentámos-nos quase tanto como quem sofria na pele. E temos grandes corações! Mal foi pedido aí estamos todos a contribuir até já não haver armazém que chegue! Somos bons, solidários, ansiamos ajudar, revemos-nos nos sofredores e, no desespero e raiva deles, refletimos os nossos, procuramos culpados, apontamos defeitos e escrutinamos falhas. A explicação é fácil: somos portugueses.

A comunicação social manteve-nos informados, incrédulos e chorosos. Dos vários canais ao dispor tratámos de crucificar uns e maldizer outros, deve ter havido também algum louvor mas juro que não vi nenhum. Tão fácil que é criticar mesmo com desconhecimento de causa ou até completa ignorância! Temos tanto amor solidário, tanto carinho para dar, tanto temperamento português para pôr à prova, porque será que nos falta tanta consideração por quem nos informa, por vezes de forma quase desgraçada?

Há toda uma engrenagem no mundo das notícias, muito quem não a compreenda, o serviço pode ser péssimo ou excelente mas o resultado é sempre o mesmo: falta de compreensão por imprevistos, falhas de conteúdo, esforço exagerado e até dúvidas morais, no calor dos acontecimentos. Não deve ser fácil ser profissional de informação onde falta tanto, até o amor. Vemos, gostamos e apreciamos ou não mas não vi uma única palavra abonatória, apenas e só o contrário.

Será a nossa comunicação social assim tão má ou falta-nos um bocadinho de compreensão, de complacência e de brandura?

Falta-nos amor!

E não só em questões desta natureza. Opinamos em tudo, somos todos donos da razão. Nem nos damos ao trabalho de fundamentar as nossas posições, simplesmente dizemos mal, porque sim, porque é o que pensamos e nem nos preocupamos em saber o porquê das coisas!

Falta-nos amor! Quem ama perdoa, não fica com raiva nem ressentimentos por qualquer coisa! Quem ama o mundo aceita-lhe as falhas porque não se ama só pela perfeição!

E o mundo somos todos, quem informa, quem vive as coisas, quem só assiste, quem estuda os assuntos e até quem faz coisas parvas porque simplesmente achou na altura que era o melhor a fazer. 

Não concordamos com o que foi dito, feito ou concluído? Pois discordemos! O que nunca é necessário é menosprezar, achincalhar e ofender!

Começa por pequenas coisas, de somenos importância mas não menos brandura nossa: a ação de alguém, o que foi dito em face do momento x, o que alguém comentou a propósito de y, o que algum famoso resolveu partilhar, o que se consta, sem procurar saber se é verdade... Parece que estamos todos desejosos de destilar venenos em raivas e ódios colossais. O que é isto, afinal???

Somos um pequeno pedaço do mundo, estivemos sempre na cauda de várias coisas, não só da Europa, agora de repente somos vanguardistas do que há de pior na natureza humana?! Não é que isto não aconteça também no resto do mundo mas se conseguíssemos medir estaríamos seguramente nos primeiros lugares!

E porquê? Porque somos portugueses e tacanhos? Ou porque a nossa inteligência é tanta e tão desmedida que não cabe em nós e tem que ser bradada aos quatro ventos sem dó nem piedade?

Muito sinceramente, não costumo andar muito por dentro deste tipo de coisas de raivas e guerrinhas que para mim são disparates e nada mais do que isso. Agora vi-me confrontada com isto sem querer em face dos acontecimentos. Afinal não se guerreia só por motivos fúteis, até a tragédia e a mágoa servem para os mesmos propósitos!

Irra! 

AMEMOS-NOS MAIS UNS AOS OUTROS, POR FAVOR!

(imagem Pinterest)

 

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14
Jun17

Príncipes e princesas dos nossos castelos

Kalila

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Há "princesinhas do papá" que são meninos. Que podem ser hiperativos, hiper-rabugentos, hiper-niquentos ou até hiper-intragáveis. Mas que, de uma maneira geral, são fofinhos. Porque as crianças são fofinhas! Ainda mais porque sendo extensões de quem se ama e parecidos com quem se ama costumam ser despoletadores de imaginações românticas acerca da infância de quem se ama; só podem ser fofinhos...!

Alguns são doces e, sendo meninas, são-no quase de certeza... Mas podem ter sofrido muito com a separação dos pais. E "sofrerem" de mimo exagerado por esse mesmo motivo... Podem ter mães horríveis que os sintam prolongamentos de ligações falhadas... Ou terem mães maravilhosas, perfeitas, divinas, a fazerem vacilar a crença de que quem está connosco é um anjo sem asas que caiu do céu para o nosso colo. Porque sendo elas perfeitas e eles maravilhosos como raio é que aquilo falhou?

No quadro inverso, há de tudo. Padrastos derretidos, impacientes, incomodados e até delirantes de alegria. Mesmo que o príncipe ou a princesinha destruam a playstation, encham o computador de vírus com os jogos da moda, monopolizem a televisão ou, ainda, para os mais "domésticos", destruam parte da casa que eles decoraram, reconstruiram ou reabilitaram com muito muito amor e todo o empenho.

No topo da tabela das inconveniências estão os "crescidotes", pré-adolescentes ou adolescentes completos que são um manancial de problemas, que quanto mais casas e famílias têm mais se empolgam com assuntos próprios da idade, incomodativos da paz familiar e, quiçá, do próprio do amor do casal. 

Mas é tão bom ter filhos! Ainda que sejam os dele ou os dela... O amor e a dedicação a isso obrigam, acolhemos no nosso coração o de outro alguém e mais todos os da sua amada prole. Vêm de fim-de-semana ou vêm para sempre e fogem no fim-se-semana... Repartem as férias, a educação, as despesas, a paciência, tudo o que houver, por duas famílias, às vezes mais, quando também é hábito estarem com os avós...

"Os teus, os meus e os nossos" costuma ser uma história engraçada quando nascem "os nossos", porque tudo é alegria, a vida é uma festa, não há nada melhor do que uma casa cheia... mas é nos filmes! Na vida real avolumam-se os problemas, os ciúmes e a responsabilidade em multiplicações bem bem bem multiplicadas.

E o amor? Resistirá?

Convém que resista. Dizem os entendidos que amor que não resiste a isso não tem suficiente grandeza.

Será? E o mundo é cor de rosa? Ou tem laivos de outra cor, assim a puxar para a da incógnita de saber ou não viver em dose certa de amor seja qual for o contexto ou a condição?

Circunstâncias à parte, o bom mesmo é amar; sendo também amado a felicidade é suprema, e esta regra é tão certa que se aplica também aos filhos do outro, no vulgo enteados, no AMOR só filhos.

 

(imagens Pinterest)

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07
Jun17

Seria amor?

Kalila

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No meio da noite quente e silenciosa uma lua minguante e brilhante acomodava no céu resquícios de alegria. Cá em baixo, na cadeira de plástico verde, alguém sentado a desfrutar do escuro e da calma morna. Um pensamento fugidio cruzava-lhe a mente qual estrela cadente: "Seria amor?".

Eram duas da manhã daquela noite cálida sem brisa nem vento. Tudo era sossego no pequeno jardim da casa, tudo menos o pensamento errante daquela cabeça na cadeira verde.

A casa não era moradia, apartamento ou anexo era uma pequena mas linda casa de aldeia que tinha sido reconstruida. Um gosto para os olhos de quem passava, um excelente refúgio para a Catarina.

Estava nas traseiras, com muros e paredes por todos os lados, um pessegueiro num canteiro e um limoeiro no outro. Vasos de cores vivas, plantas e flores várias completavam o cenário dos pensamentos dela. Adorava estar ali, até no Inverno, desde que não chovesse, costumava encontrar-se consigo própria entre o vaso dos craveiros e o das begónias.

Ele tinha acabado de sair, pela frente da casa, já tinha chave para poder trancar a porta e o pequeno portão atrás de si. O nome era Pedro, os olhos eram lindos, a ligação ainda recente, as dúvidas enormes. 

No que consistiria afinal o amor? Para além do arrebatamento dos encontros, da alegria e da comunhão nas saídas, da cumplicidade nos pensamentos e das falas mudas por telepatia deveria existir algo mais, pensava Catarina. Algo que não oferecesse dúvida alguma, algo que se sentisse de maneira clara e inequívoca, algo que não o deixasse ir embora... 

Só uma vez ficara até de manhã e porque adormecera. Falava no gato que estava sozinho, nas plantas que tinha de regar, na roupa no estendal, mil e uma coisas para ter que ir embora. Não ia para longe, vivia perto, mas ia embora.

Se era ela a estar na casa dele, depressa sentia que tinha que voltar para a sua. Qualquer coisa difícil de explicar encarregava-se de lhe fazer sentir que era visitante...

Ele era comedido nas escolhas, pensava e analisava tudo tacitamente, ela mais impulsiva mas também com algum medo de precipitações. Já fora infeliz com escolhas erradas. Confundir paixão e amor era o seu dilema.

Levantou-se. À luz do luar, o limoeiro imponente parecia querer dizer-lhe alguma coisa, as folhas do pessegueiro agitaram-se levemente com uma ligeira brisa que passou, a roseira anã envasada estendia-lhe uma rosa no ramo maior, um cravo branco ameaçava rebentar o cálice com a pujança da flor. O resto mal se via mas estava tudo ali para a confortar, até a porta da cozinha que a acolhia na casa pequena. Grande só o gosto que tinha em viver ali.

A campainha assustou-a e a chave na porta da frente ainda mais. Estremeceu. "Seria possível?!"

Quando a porta se abriu o céu estrelado imponente tornou-se majestoso com o que emoldurava. Uma breve justificação de ter tocado para não assustar, um olhar de mel, o gato no colo e uma mochila nas costas que foi empurrando a porta enquanto ela o abraçava. Sentiram-se as lágrimas enquanto um sussurro doce chegava ao ouvido dela: "Não consigo estar sem ti".

Afinal era amor... 

 

(imagem Pinterest)

 

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31
Mai17

O banco de pedra debaixo da parreira

Kalila

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Sentada no baloiço tosco do pátio da tia, Cilinha fingia-se no carrossel da festa da aldeia. Ouvia-lhe a música, trazida pelo vento, quase sentia os cavalinhos a subir e a descer. 

A prima Idalina e o namorado Tomás lá estavam no banco de pedra debaixo da parreira. A namorar, como todos diziam, a conversar, pensava Cilinha. Que seria exatamente isso de namorar? Algo complicado de perceber, ainda mais por ter que estar presente, sem entender porquê.

- Cecília! - chamou a tia da janela.

Desceu do baloiço, deu uma corridinha e aceitou a ordem de lavar as mãos na torneira do tanque. Sacudiu-as depois, enxugou o resto ao vestido e aceitou o pão com manteiga que a tia lhe estendeu. Horas do lanche, era preciso comer mesmo sem vontade senão a tia ralhava, depois contava à mãe, depois a mãe ralhava também... O melhor era comer, evitavam-se chatices.

Porque é que os adultos não tinham que lanchar também? A tia ainda perguntou aos namorados se queriam alguma coisa mas nem esperou a resposta, saiu da janela e lá foi para dentro a ajeitar o avental como costumava fazer.

Cilinha foi comer o pão no vai e vem do baloiço. Tomás chamou-a à atenção:

- Cilinha, não se come a andar de baloiço, podes engasgar-te ou ficar mal disposta!

Já sabia isso mas tinha uma certa tendência para contrariar. Como foi o Tomás a dizer, desceu do baloiço e sorriu-lhe. 

Entre o baloiço tosco do pátio da tia e o banco de pedra debaixo da parreira havia uma distância de alguns metros, 15 anos de diferença da prima, um chão antigo de pedra e alguns vasos com plantas.

O Tomás estava "na tropa", a cumprir o serviço militar obrigatório, às vezes aparecia fardado, quase sempre de surpresa, e Cilinha era chamada para andar no baloiço ou para passear com eles. Num dia em que choveu muito, ficaram todos na janela da casa de jantar à espera que parasse. 

O tempo é que não parava. No ano seguinte Cilinha entrou para a escola. Foi aprender muitas coisas numa sala com um crucifixo e uma fotografia do Salazar. Passado um mês o Tomás foi "para fora", para o Ultramar, mais propriamente para a guerra de Angola, uma das "Províncias Ultramarinas", nome este justificado por "Portugal não ter colónias", segundo o que se aprendia na escola.

Mal o Tomás partiu voltou o primo Eduardo, no meio de uma grande festa, foram mortas muitas galinhas, convidaram o "Troncas" da concertina e estava também o Gaspar do saxofone, tocaram juntos e em separado. A razão da festa era o Eduardo "vir bem"...

O Tomás não veio bem, não veio mesmo, o Tomás desapareceu no mato depois de uma emboscada. Nunca apareceu nem vivo nem morto, dele só vieram notícias, avessas umas das outras, nunca se soube nada de concreto. Esperou-se e receou-se sempre um telegrama de condolências do Ministro do Exército mas tal nunca aconteceu. Passado muito tempo, o nome do Tomás apareceu nos jornais numa lista de "desaparecidos em combate" mandada publicar pelo Ministério da Guerra. A mesma informação nunca chegou à família nem à Idalina. 

A mãe doente e debilitada do Tomás não aguentou e morreu. O pai ficou meio louco e envelheceu numa instituição onde acabou por morrer.

Com 72 anos, o rosto da Idalina conserva ainda alguma beleza e uns olhos lindos, de um azul celeste e doce. Vive na casa que foi dos pais, onde já não há baloiço, onde tudo foi transformado e remodelado. Tudo menos o banco de pedra debaixo da parreira. A prima Cecília visita-a sempre que pode. Tomam chá, conversam, planeiam coisas e sentam-se no banco de pedra debaixo da parreira... onde esperam o Tomás... 

(Imagem Wikipédia)

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Monumento aos combatentes

do Ultramar - Belém

                                                                        

 

 

24
Mai17

Um romance na "P"logosfera

Kalila

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Hoje falo na primeira pessoa. Sim, aconteceu comigo! Estão curiosos?

Pois bem, espero não desiludir ninguém! 

Acho que já deixei escapar por aí que estive antes noutra plataforma. Não era melhor nem pior, tinha outros requisitos técnicos, mais opções de escolha de apresentação, era menos intuitiva em termos de manuseamento, e portanto ligeiramente mais complicada, e não havia tanto este hábito delicioso de derreter toda a gente com miminhos, atenções e apreços de toda a ordem. Alguma discussão, sim, em alguns blogs de opinião, mas nada de muito interessante, digamos. O meu blog era mais ou menos diário, tratava de tudo um pouco, eram impressões minhas acerca de quotidianos e situações do momento, em jeito de crónica, não sei se conseguida. Tinha subscritores fixos de visitas assíduas e vários visitantes blogosféricos alternados, com nomes estranhos como Pirolito, Pazdalma, Pasmaceiro, Pancrácio, Pencudo, Penisiano e mais alguns com menos piada mas todos começados pela mesma letra e que não tinham blog com aquela identificação. Raro era o dia em que não me aparecia um deles, por vezes eram dois e iam alternando ao longo da semana, nunca se repetiam em dias consecutivos. Tinham uma característica engraçada, todos eles, a transformação do verbo "estar" no verbo "tar", como se escrevessem sms e não comentários em blogs. 

Um belo dia, ganhei uma nova subscritora, identificada como Paula P, que tratava de moda, culinária, recomendações de produtos e essas coisas corriqueiras, que dizia gostar muito do meu blog, deixava uns comentários gentis, algumas opiniões e começou a ser mais ou menos perseguida por cada um dos Ps, que iam deixando contrapontos sobre os comentários que ela gentilmente deixava no meu blog. Aquilo foi ficando cada vez mais desagradável até que a Paula P desapareceu da Blogosfera.

Curiosamente, alguns dos Ps foram desaparecendo do meu blog, permaneceram alguns, os dos nomes mais engraçados, mas a pouco e pouco e um a um lá tomaram todos um tal chá de sumiço que até os meus outros visitantes estranharam o facto.

O tempo passou, fartei-me do blog das crónicas e criei este, algum tempo depois. Não me perguntem porquê, porque acho que também não sei, um destes dias voltei à mesma plataforma e dei com um texto num blog de contos que contava um romance virtual deveras interessante: estavam lá todos os nomes dos Ps, como fazendo parte de uma seita demoníaca internautica de perseguidores, a protagonista era uma menina de nome a começar por P, acontecia uma enorme confusão até ela chegar à "brilhante" conclusão de que todos os Ps eram uma só pessoa e ambos se perdiam de tanto amor um pelo outro que aquilo era uma paixão como só se vê nos filmes. A história acabava com agradecimentos à minha pessoa, devidamente identificada com o nome que eu tinha no blog antigo, por ter sido no meu blog que se tinham "conhecido", e eu não sei se me ria, se fique feliz, se feche a boca porque já me dói o queixo ou se me belisque para ver se não estou a sonhar!

Bom, optei por contar isto aqui, a ver se atino com a lógica desaparecida numa lista de nomes estranhos a começar por P. Poderia até deixar algum comentário naquele post do blog de contos, mas entre tanta coisa estranha que pode até ser ficção, restam-me ainda laivos de algum discernimento que me aconselham a "apagar a luz e fechar a porta" não vá a "disparatice" vir por aí atrás de mim. 

(imagens Pixabay)

 

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PEDRO PAULO PEREIRA PINTO

PEQUENO PINTOR PORTUGUÊS

PINTA PORTAS, PAREDES, PAINEIS

POR PEQUENO PREÇO

 

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17
Mai17

O poder de uma canção

Kalila

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A indecisão é uma manhã de nevoeiro sem perspetivas de chegada alguma. Pensa-se, repensa-se, torna-se a pensar e a repensar mas faltam as decisões. No caso, era só uma. Romance esmorecido, aquela fase do tempo para pensar em que "um tempo" costuma ser para todo o sempre...! Mas não era isso que ela queria!... Não sabia dizer-lhe que não porque não sentia um não sincero, temia o sim pela criancice dele, por aquela meia loucura por si própria que se estendia a tudo que lhe dizia respeito e não só... Ela certinha e direitinha, organizada, ponderada, a sensatez em pessoa! E ele aéreo, distraído em tudo, sonhador quase irresponsável, meio maluco por si mas sempre ausente em pensamento! Raios! Onde ficava o amor no meio da indecisão?... Seria amor o que ainda sentia? 

O sofá cinza acolhia-lhe a melancolia algo irónica. Talvez por ao fim de vários anos estar a ver de novo o Festival da Eurovisão... Não vira o nacional mas apaixonara-se pela canção, um doce cantado com carinho, um amor de canção que ia direitinha ao coração!... Tanto mais pela recomendação dele para ouvi-la...

As luzes, os fogos, as cores, as musicas cansativas, cenários estranhos com fumos e objetos inusitados alusivos às letras, uma ou outra canção um nadinha mais interessante...

Ai que seca! Quando canta o rapaz? Tudo aquilo lhe era já quase desagradável talvez pela falta do hábito... ou do conteúdo... ou do interesse... ou da qualidade...

Uma gota de sono caía-lhe já pelos olhos quando ouviu que faltavam duas... Reacendeu a atenção, sorriu de si para si a pensar como matar o tempo que faltava... 

E quando o Salvador finalmente cantou:

 

"Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que vivi para te amar.
Antes de ti, só existi
Cansado e sem nada para dar.

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer.
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez devagarinho possas voltar a aprender.

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez devagarinho possas voltar a aprender.

Se o teu coração não quiser ceder,
Não sentir paixão, não quiser sofrer,
Sem fazer planos do que virá depois
O meu coração pode amar pelos dois"

 

Oh!

Até aí ainda não tinha retido bem a letra, naquele instante absorveu-a toda quase de repente! 

Ainda demorou uns segundos, enquanto tentava perceber quanto a canção tocava a todos pela candura, sentiu o entusiasmo do público e dos apresentadores portugueses, aquele clima intimista em que tinha sido apresentada, diferente de todas as outras... Mas o ar doce e apaixonado do Salvador, meio tonto e meio aéreo é que a fizeram levantar, procurar o telefone e...

Do outro lado:

 - Ouviste a canção?... 

E ela disse que sim... A tudo!

(imagem Pixabay)

 

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